O exercício físico e o uso de insulina



Muito se fala sobre os benefícios do exercício físico para os portadores de diabetes. Em todas as consultas a orientação é sistematicamente repetida (e também por amigos e familiares). E as evidências científicas de fato apontam que o exercício físico pode ser benéfico e seguro para o paciente com diabetes, mesmo aquele que faz uso de insulina. Mas ainda muito pouco é dito sobre as barreiras para a prática da atividade enfrentadas pelas pessoas que fazem uso de insulina. Ora, passar por uma hipoglicemia (crise de glicose baixa) durante ou após a prática é sem dúvida uma barreira pra ninguém botar defeito... Quem já passou por isso sabe muito bem... Ou se empenhar em fazer uma atividade mais intensa (daquelas em que você sai mesmo pingando!), com a esperança de ver uma glicose mais baixa no fim, e na verdade encontrar um nível mais alto é também uma grande frustração. Afinal de contas, o exercício não deveria ajudar a baixar a glicose?

O tipo de diabetes de um indivíduo deve ser levado em consideração nesse planejamento, assim como as doses e as diferentes insulinas em uso. A monitorização da glicose é uma ferramenta essencial para esse manejo e deve ser feita antes, às vezes durante e depois do exercício, seja através de aparelhos glicosímetros tradicionais ou de sensores mais modernos. O período noturno após a atividade também merece atenção, já que muitos pacientes experimentam quedas de glicose nesse momento. Em muitos casos existe a necessidade de suplementar alguma quantidade de carboidrato ou realizar ajustes das doses de insulina (ou mesmo trocar o tipo de insulina em uso) em horários próximos à atividade. Às vezes, um ajuste simples de dose ou da alimentação já assegura uma prática tranquila.

Em outros casos, pode ser necessário uma mudança mais abrangente do esquema terapêutico. O importante é que, salve raríssimas exceções, o indivíduo não deve ser privado dos benefícios do exercício físico por fazer uso de insulina. O exercício faz parte do tratamento do diabetes e deve sempre ser visto como um potente aliado!

Devemos lembrar também que algumas medicações orais para o diabetes tem o efeito de aumentar a insulina circulante feita pelo próprio corpo, e que algumas pessoas podem precisar de ajuste dessas medicações para praticar exercícios físicos de forma segura.

Por tudo isso, o ideal é que a equipe que assiste esse indivíduo (médico, nutricionista, educador físico, fisioterapeuta) deve estar alinhada e em contato frequente para que ele realmente consiga seguir a tão repetida orientação, com segurança e com benefícios!

Por Dra. Luciana Valadares Ferreira, nossa Endocrinologista.